O sentimento que Verena Figueira tem quando está dentro de quadra é o de realização. E muito dessa sensação se deve aos obstáculos já superados. Para ela, o objetivo é sempre ser melhor do que antes. Hoje com 23 anos, a cearense se divide entre a vida de universitária, estudando Educação Física na UNIFOR – CE e a de atleta, representando a instituição, o seu estado, e o país no vôlei de praia e quadra.

Foto: Arquivo Pessoal.

Verena não lembra ao certo quando foi o primeiro contato com a modalidade. Mas recorda que desde muito nova, ainda na escola, gostava muito das aulas de educação física e que os esportes com bola eram os seus preferidos. Seu pai foi por algum tempo jogador de futebol, o que deu um certo empurrãozinho nas suas escolhas e gostos. A atleta percebeu que queria competir para valer quando participou da seletiva dos Jogos Escolares da Juventude no Ceará.

Na ocasião, em sua estreia, a atleta já garantiu a medalha de prata. Depois da competição, recebeu o convite para ingressar na seleção cearense de vôlei de praia e desde então não parou mais. Participou dos circuitos de base; sub 19, sub 21 e circuito brasileiro.

Em 2016 foi vice-campeã Sul-americana no Peru. No âmbito universitário, Verena participa desde 2015 (LDUs, Beach Games e JUBs Fase Final) e leva na bagagem, incontáveis títulos. Foi campeã em 2017 do Beach Games nacional e internacional. Em 2019 foi convocada para representar o Brasil no vôlei de quadra na Universíade e, no mesmo ano, subiu ao lugar mais alto do pódio no JUBs Fase Final.

Foto: Arquivo Pessoal.

Na transição do amadorismo para o alto rendimento, a atleta tomou o susto do não. Uma palavra tão pequena, mas com um poder enorme. Verena escutou do seu então treinador que ela não tinha futuro. Que não poderia ser atleta profissional de vôlei com 1m67cm de altura. “Você não consegue atacar, você não tem potencial”, relembra. Impotência poderia ter sido um sentimento plausível.

Mas, fazendo valer o mantra ‘o que não te derruba, ter fortalece’, a atleta usou a situação como impulso, como o combustível necessário para romper limites. Os seus próprios limites. Verena aprendeu a arte da resiliência: capacidade de rápida adaptação ou recuperação. Do episódio, ficou a lição: nem um obstáculo é grande o suficiente se a vontade de vencer for maior. Desde então, a atleta ganha cada vez mais espaço e notoriedade no meio esportivo.



Quando tinha trabalho, eu pedia para entregar antes, quando tinha prova eu pedia pra antecipar.



Por traz de cada conquista, há uma árdua e extenuante rotina, que nem todo mundo conhece. Para ela, o maior desafio de um atleta universitário é a dupla jornada: estudar e treinar. “Todos os dias a gente passa por um desafio diferente, em relação a rotina, em relação a treinamento”, afirma.

Apesar dos desafios diários, Verena explica que sempre se preocupou com os estudos e que ter boas notas é uma meta pessoal. De acordo com a jogadora, administrar a rotina de universitária com a de atleta ficou mais fácil depois do diálogo com os professores. “Quando tinha trabalho, eu pedia para entregar antes, quando tinha prova eu pedia pra antecipar, porque eu sabia que se eu fizesse a prova ou o trabalho depois da competição, eu não ia conseguir estudar na competição”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal.

Além de atleta, Verena é exemplo de superação e força de vontade. Faz jus ao título de herói real e mostra no dia a dia toda sua garra. Também é membro da Comissão de Atletas da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU).

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