A rotina de um atleta universitário é complexa. São horas e horas do dia divididas entre vida acadêmica e vida esportiva. Para os atletas, nesse processo o apoio da família, dos amigos e da universidade, é de extrema importância. Em pesquisa realizada no Instagram da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), 97% dos estudantes consultados julgaram ser importante o apoio da universidade em sua jornada como atleta universitário. Porém, 54% afirmaram que a universidade na qual estudam não apoiam sua jornada como atleta universitário.

O apoio aqui pode ser compreendido de diversas formas. Desde a ajuda de custo, para a participação de competições e efetivação de treinos, até o apoio moral e o incentivo ao esporte como um todo.

Em entrevista, Ralciney Marcio Carvalho Barbosa, Chefe da Divisão de Assuntos Desportivos da UNIFOR – CE, explica que a cultura do desporto universitário como conhecemos hoje, é algo recente no Brasil, apesar de os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) já existirem a muito tempo. Para ele, esse formato de organização, com instituições que tenham em seus quadros gestores esportivos, é novo.

O responsável pela divisão esportiva na Universidade, reconhece que a rotina de um atleta universitário é exaustiva, principalmente quando a pessoa se percebe como aluno antes de atleta. No ponto de vista dele, conciliar vida acadêmica, esportiva e pessoal é um processo individual de cada um, que, no entanto, pode ser facilitado a partir da compreensão e do apoio da universidade. “É favorecer que o aluno possa desempenhar bem sua função de atleta”, explica Ralciney.

Ainda no Ceará, na Uniateneu, a atleta de futebol, Alexssandra Cristina Batista Pereira, conta que o esporte é muito valorizado na instituição. “Nossa coordenação de esporte trata cada modalidade por igual, todas tem seu espaço”, afirma. Para ela, o apoio da faculdade é fundamental, desde a oferta de cursos, até a estrutura para treinos.

 

Representantes do futebol feminino da UniAteneu durante o JUBs de campo em Caruaru – PE. Foto: arquivo pessoal

 

Do outro lado do país, em Santa Catarina, a situação é parecida. João Pravato, 21, jogador de vôlei e estudante da UNOESC – SC, conta que o amparo da universidade e dos professores estimula o time a continuar competindo. “Eu e um colega tivemos proposta para jogarmos a Superliga. Porém, quando colocamos na balança a questão da universidade, o semestre, decidimos ficar em Chapecó”, relembra. Para ele, o apoio dos professores e coordenadores influenciou na decisão.

 

Time de Vôlei da Unoesc – SC tem bolsa de estudo integral na instituição. Foto: arquivo pessoal

 

O estudante explica que os atletas do time de vôlei têm bolsa integral na universidade, mas que, muitas vezes, o auxílio financeiro da instituição não contempla 100% das necessidades esportivas. “Ano passado o técnico cogitou o Sul-americano (universitário) com a instituição, mas não havia verbas”, afirma João Pravato. Ainda assim, para ele, o incentivo ao esporte que a instituição demonstra já reflete na motivação deles. “Os professores nos apoiam e sempre estão interessados nos jogos”, diz.

Porém, a realidade do João é diferente da de muitos outros atletas universitários. De acordo com a pesquisa feita pelo perfil da CBDU no Instagram, 93% dos votantes apontaram como importante o apoio dos professores, enquanto apenas 41% deles disseram ter efetivamente esse apoio. Cynthya Gomes, 23, é estudante de Educação Física na UFG e relatou a falta de apoio dos professores do curso, que não abonam as faltas dos atletas que participam de competições oficiais.

Em entrevista, Alexandre Rezende, Diretor de Esporte e Atividades Comunitárias da Universidade de Brasília (UNB), apresenta uma realidade parecida com a vivenciada por Cynthya. Ele declara que como ainda não existe um documento que normatize a dupla carreira de um estudante, como acadêmico e esportista, há divergências quanto a interpretação das situações vividas. “Temos muitos professores que não reconhecem a atividade esportiva como parte do envolvimento do aluno com a universidade, e em função disso se recusam a dar provas substitutivas, a abonar algumas faltas”, descreve.

Na visão de Alexandre, o cenário afeta diretamente o atleta universitário, que muitas vezes precisa escolher entre a vida acadêmica e a esportiva. “Quando isso acontece normalmente o que a gente vê são os estudantes optando pela carreira acadêmica e deixando de lado o esporte. As vezes até precocemente por essa falta de sensibilidade”, explica.

Para Alexandre, tendo em vista a dupla carreira do atleta universitário, o grande desafio das universidades é dar oportunidade para que os estudantes alcancem a excelência esportiva e acadêmica, possibilitando o alto rendimento em ambas as esferas.

0 Comments

No Comment.