[#HeroisReais] A arte de recomeçar, a superação do judoca Rodrigo Lopes

Perseverar: continuar ou prosseguir de algum jeito, sem desistir; ficar, permanecer. Ser perseverante é conservar-se firme, constante. É não desistir em meio as adversidades. É focar nos objetivos e lembrar que do que te move, do que te motiva. A perseverança é uma característica de poucos, uma qualidade rara.

2014 – Depois de conquistas significativas, como o Campeonato Brasileiro Sub 21 e Sênior e a classificação para a seletiva dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Rodrigo Lopes foi surpreendido. Ao participar da qualificatória para o Circuito Europeu Sub 21, o judô aplicou um golpe em seu adversário e caiu de cabeça. Seis anos depois, as lembranças do momento ainda têm lugar na memória do atleta. “De cara o médico falou que eu nunca mais poderia lutar e que não sabia como eu não tinha morrido ou ficado com sequelas”, relembra. Por sorte, Deus, ou destino, aquela não era a hora de Rodrigo partir.

De cara o médico falou que eu nunca mais poderia lutar e que não sabia como eu não tinha morrido ou ficado com sequelas.

Com grande impacto na hora do choque, o atleta perdeu a consciência e ficou cerca de 20 segundos desacordado. Já no hospital, o diagnóstico: Rodrigo havia fraturado a segunda vértebra da coluna cervical (C2). “Quando o médico falou que eu não poderia mais lutar, que veio meu desespero, entrei em choque”, conta. Ali, no que poderia ser o processo de uma jornada de glórias e títulos, após uma série de bons resultados, Rodrigo viu seu objetivo – conquistar uma vaga para a Olímpiada do Rio 2016 – ser

interrompido. O carioca, com então 20 anos, precisou adiar seu sonho e se descobriu mestre na arte de recomeçar.

Passado o susto, um novo desafio. Rodrigo precisou passar por uma cirurgia, que por ser de alto risco, poderia deixa-lo tetraplégico. Da operação ficou uma única herança: um parafuso de 10cm na coluna cervical. A C2 é um osso pequeno, mas que abriga um ligamento importante do corpo humano, que se rompido, provoca um trauma na medula.

O atleta ficou cerca de 1 ano em recuperação, usando colar cervical e treinando diariamente, dentro dos seus limites. “O médico disse que não era a favor que eu voltasse [a competir], mas que não poderia me proibir”, explica. E, a partir daquele momento, fisioterapia, fortalecimento muscular, remédios e outros tratamentos viraram rotina para Rodrigo.

No momento em que viu a vaga para a Rio 2016 escapando de suas mãos e tantos outros sonhos precisando ser adiados, Rodrigo aprendeu a ser perseverante. A sensação que ele tem quando está em cima do tatame é de entrega, de êxtase, e isso, ele não abre mão. “É um sentimento inexplicável, como se só aquele momento importasse, aonde você esquece tudo durante 4 minutos e deixa tudo de si lá dentro”, conta.

Rodrigo teve seu primeiro contato com o judô quando tinha 7 anos de idade. Na escola na qual ele estudava, houve uma demonstração da modalidade e, instantaneamente, ele se interessou. “No começo foi uma brincadeira, mas aos poucos fui levando cada vez mais sério e com 12 anos eu já sabia que era isso que eu queria para minha vida”, esclarece. Anos depois,

durante a graduação, Rodrigo participou do movimento do esporte universitário. O judoca estudava Design de Moda na Unicesumar, no Paraná e participou do Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), fases estaduais e nacionais.

O atleta foi o primeiro da família a ter contato com o esporte e ainda assim, teve o apoio dos pais e dos amigos desde que iniciou na modalidade. Hoje, serve de inspiração para as gerações mais novas, que estão aos poucos, ingressando no judô. Rodrigo viu no esporte oportunidade. Oportunidade de viajar para outros lugares. Oportunidade de conhecer culturas diferentes. Oportunidade de crescer.

Ao olhar para trás, Rodrigo reflete com carinho por tudo o que passou: “me considero um herói real por ter vencido as probabilidades e todos os dias poder batalhar atrás do meu sonho, mesmo através das adversidades. Além de ser um espelho para as pessoas que vieram da onde eu vim, pois não tem muita referência de pessoas de ‘sucesso’. Eu faço de tudo para conseguir, para eles verem que também são capazes. E que todos podem conquistar os seus sonhos, independente de cor, classe social, privilégios. Por mais que você esteja atrás nessa corrida, acredite e lute”, finaliza.

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